Nestes últimos dias, como estive em viagem tive a oportunidade de revisitar um livro nascido de um projeto que tive o prazer de colaborar – “Faces e Fases de Enfermagem", onde duas professoras se dedicam a refletir um pouco sobre o papel e história da enfermagem, relatando ainda um conjunto de histórias de vida de enfermeiros, que de uma forma ou outra, marcaram o mundo em que vivemos.
A ler este livro nova mente, e sendo suspeito, não pude deixar de me emocionar, mais uma vez, e sentir uma pontinha de orgulho pelo percurso que escolhi. Olhando para as vidas aí retratadas tive, também, a oportunidade de refletir sobre a Enfermagem enquanto profissão, numa altura em que vivemos períodos um pouco conturbados em Portugal e se aproximam datas tão significativas como as eleições legislativas e a escolha do novo Bastonário dos Enfermeiros.

Ora, para mim, ser enfermeiro tem significado que ao longo da história há que abraçar um espírito de luta, quiçá um pouco revolucionário contra o status quo estabelecido. Seja por uma questão de género ou de classe, a nossa vida nunca foi fácil. Como cuidar dos doentes, dos idosos e dos mais desfavorecidos da nossa sociedade não traz dinheiro, enquanto advogados dos doentes temos, seguramente, uma ardua tarefa pela frente quando se trata de conseguir o melhor possível para estes, certamente também para obter as melhores condições possíveis para nós, enquanto profissionais, podermos cuidar deles com o máximo de dignidade e qualidade de serviços.
No entanto, olhando para o exemplo de mulheres como Florence Nightingale, Mary Seacole, Edith Cavel, Margaret Sanger, Sophie Mannerheim, Lillian Carter ou a "nossa" Ana Guedes, quero acreditar que, mesmo perante todas as adversidades, todos os preconceitos e todos os poderes instalados, enquanto Enfermeiros seremos capazes de continuar a lutar por melhores condições de trabalho e, consequentemente (porque uma não pode existir sem a outra), por uma melhor qualidade dos cuidados que se prestam aos nossos doentes. Todas estas personagens, fazendo uso das armas ao seu dispor, conseguiram de uma forma ou de outra e com grande coragem, concretizar os seus objetivos e à sua maneira mudar o mundo. Não tendo essa ambição, podemos porventura tentar mudar o mundo que nos rodeia.

É dentro deste espírito que vos queria falar de um projeto que conta com o relevante papel de uma enfermeira que tive o prazer de conhecer muito recentemente, quando fui a Portugal. “O Kastelo” é a primeira casa (gratuíta) de cuidados à criança com doença crónica ou a necessitar de cuidados paliativos do país. Mais que um lugar de cuidados de saúde pretende-se que seja um espaço de liberdade e brincadeira, onde as crianças se possam esquecer dos seus problemas e voltar a ser crianças sob o olhar atento dos seus cuidadores, e assim, também permitir um pouco de descanso aos pais que normalmente com elas terão de ficar as 24h do dia.

Este projeto conta atualmente com o apoio da associação “No Meio do Nada”, que ajudou a reabilitar esta casa vazia em Matosinhos (na fotografia em cima) para a transformar nesta unidade de apoio. Deixo aqui o desafio para que visitem a página online desta associação, onde podem conhecer o Kastelo um pouco melhor e contribuir para o mesmo, se assim o desejarem. Como dizem os mentores do projeto, mesmo 1€ ajuda!

Podem também adquirir um dos livros "Faces e Fases da Enfermagem" por apenas10€ (mais portes de envio = 4,97 euros), e descobrir um pouco mais sobre a vida destes enfermeiros/as ao mesmo tempo que ajuda com 50% deste valor para o projeto! Para adquirir o livro basta enviar um email para: geral@saudealemfronteiras.com

Se todos ajudarmos podemos fazer a diferença!
Enfermeiro Nuno Pinto

 

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