Foi um dos principais rostos do brexit, mas o antigo líder dos independentistas do UKIP Nigel Farage disse ontem que não vai abdicar da pensão a que terá direito por ser eurodeputado desde 1999. “Dada a forma arbitrária que a União Europeia se comporta em termos de dinheiro, ficaria muito surpreendido se tivesse direito a alguma coisa”, disse no programa do jornalista Andrew Marr, na BBC. Mas questionado se aceitaria as 73 mil libras anuais (83 mil euros) quando fizer 63 anos (tem 53) acrescentou: “Claro que aceitaria. Porque é que a minha família e outros devem sofrer mais?”

Claro que aceitaria. Porque é que a minha família e outros devem sofrer mais?

O valor da pensão foi calculado pelo The Sunday Times e poderia ser parcialmente coberto pela “conta do divórcio” entre o Reino Unido e a União Europeia, estimada em 50 mil milhões de libras, caso haja um acordo. Farage, que fez tudo para conseguir o brexit, negou estar a ser hipócrita ao aceitar o dinheiro. “Eu votei para ficar sem emprego. Eu fui o peru que votou pelo Natal. Como é que isso pode ser hipocrisia?”, questionou no programa da BBC.

Esta semana será decisiva nas negociações do brexit, com a primeira-ministra britânica, Theresa May, a almoçar hoje com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. A União Europeia quer um acordo geral sobre três termos do divórcio - os direitos dos cidadãos, a “conta do divórcio” e a futura fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda - antes de iniciar as negociações sobre o período de transição ou o futuro acordo comercial. O almoço é um prazo-limite para Bruxelas ter as últimas ofertas de May, antes de os líderes europeus decidirem, na cimeira de 15 de dezembro, passar à segunda fase de negociações. O vice-primeiro-ministro irlandês, Simon Coveney, disse ontem que não quer atrasar o brexit, mas esperava já ter havido maior progresso em relação às fronteiras.

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair confirmou entretanto que trabalha para reverter o brexit, defendendo um novo referendo. 50% dos inquiridos pelo Mail on Sunday concordam com um voto sobre o acordo final.

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