Licenciada em 2009, desde sempre com vontade de me aventurar por outras paragens, comecei a trabalhar em Lisboa, numa entidade de cariz social onde acabei por iniciar a minha carreira profissional com experiência a nível comunitário. Numa fase inicial integrei um serviço de apoio domiciliário, estive nas consultas de ambulatório e ainda prestei apoio a lares da instituição.
Há três anos foi-me proposto integrar um projeto novo, de educação para a saúde, onde me foi possível conhecer o estado de saúde da população nos diferentes bairros da cidade, e onde desenvolvi competências no âmbito da promoção da saúde e prevenção da doença.

Ao longo deste percurso investi na minha formação pessoal e profissional. Realizei alguns cursos de curta duração, o Mestrado em Gestão de Serviços de Saúde do ISCTE, e mais recentemente terminei a especialidade em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria. As formações supracitadas permitiram-me um novo olhar sobre a gestão dos recursos e da sua importância no dia a dia do SNS – Sistema Nacional de Saúde e um novo olhar para o utente, enquanto cliente dos nossos serviços de cuidados de saúde.

          

Em 2015 surgiu a oportunidade de me aventurar por terras de sua Majestade. Assim, iniciei o meu processo de inscrição no NMC – Nursing and Midwifery Council (ordem dos enfermeiros britânica). Numa altura em que tantos enfermeiros se encontram a trabalhar em Inglaterra, procurei informação com pessoas que conheço e através de alguns testemunhos presentes na blogosfera.
Ao mesmo tempo que iniciava o processo de inscrição, procurei em diversos sites de emprego e redes sociais (por exemplo Linkedin), contactos com agências de recrutamento especializadas. Após algumas entrevistas telefónicas e via skype, a primeira entrevista presencial em Lisboa chegou em Setembro. A entrevista correu bem, e no final questionaram-me em que serviço gostaria de trabalhar e quando estava disponível para começar. Visto que me encontrava a terminar a especialidade em Fevereiro, referi que só poderia começar em Março e isso não foi impedimento para o recrutamento. Fui aceite e em Março comecei num hospital nos arredores de Londres, cheia de vontade de aprender!

A verdade é que senti algumas inseguranças. Afinal, seis anos a trabalhar num contexto comunitário em Portugal muito diferente de uma cirurgia ortopédica/trauma, e ainda por cima num país diferente, tem todos os ingredientes para me deixar apreensiva... No entanto, estava cheia de vontade de começar, de conhecer a equipa, os doentes e de enfrentar novos desafios.

          

Hoje, passado mês e meio de ter começado sinto que os altos e baixos, normais em qualquer integração num serviço novo, são a força que nos leva a enfrentar um novo dia. Tive a sorte de me cruzar com colegas portugueses (faz-nos sentir em casa quando nos cruzamos no serviço), e a equipa em geral encontra-se pronta a ajudar no que é preciso. Em termos burocráticos é uma grande diferença (muito papel) e para nos integrarmos ainda demora um pouco. Mas como dizia o poeta “o caminho faz-se caminhando” e as oportunidades são muitas para quem quer investir num caminho profissional que permite melhorar os cuidados prestados e exercer enfermagem com qualidade de excelência!

Enfermeira Joana Ribeiro