O que é a sida?

A Sida - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (em inglês: AIDS - Acquired Immunodeficiency Syndrome) é uma doença infeciosa, contagiosa e ocasionada pelo estado mais avançado da infeção causada pelo VIH - Vírus da Imunodeficiência Humana (em inglês: HIV - Human Immunodeficiency Virus). Este vírus quando penetra no organismo humano enfraquece o sistema imunológico deixando-o “deficiente”, surgindo assim a designação para síndrome de imunodeficiência, e adquirida pois a transmissão é feita por um agente externo ao organismo humano. Esta doença carateriza-se pelo enfraquecimento do sistema imunitário, deixando a pessoa infetada com uma capacidade muito reduzida de defesa contra outros agentes infeciosos causadores de doenças oportunistas que podem ser fatais. Geralmente, as pessoas portadoras desta doença acabam por falecer devido às doenças oportunistas e não à SIDA.

Ser portador do VIH não significa ter SIDA!

O que é o VIH?

O VIH - Vírus da Imunodeficiência Humana é um retrovírus que penetra num organismo hospedeiro (neste caso o corpo humano) e destrói as células do seu sistema imunológico. Este sistema é constituído pelos mecanismos de defesa que protegem o organismo de invasores, que podem provocar infeções ou doenças. O sistema imunitário é composto por diferentes tipos de células, entre os quais os Linfócitos que são responsáveis pelo reconhecimento do agente invasor e ação de defesa. As células mais atacadas pelo VIH são os Linfócitos T auxiliares ou CD4+ que coordenam a defesa imunológica contra vírus, bactérias e fungos. Com o tempo, este vírus vai destruindo estas células e a pessoa infetada pelo VIH (denominada de Seropositiva) vai ficando imunodeficiente ou seja, tem uma atividade do sistema imunitário inferior ao normal, e consequentemente fica mais debilitada e suscetível a contrair infeções e doenças oportunistas (como por ex.: tuberculose, formas raras de pneumonia, candidíase, citomegalovirus, toxoplasmose, criptosporidiose e alguns tipos de cancro como o sarcoma de Kaposi entre outras).

Evolução da infeção por VIH/SIDA e Sintomas

Infeção aguda - fase inicial depois da contaminação pelo VIH. Algumas pessoas não apresentam sintomas mas quando se observam são muito semelhantes aos de uma gripe:
Febre
Mal-estar
Cansaço
Gânglios inflamados e inchados
Tosse
Infeções na garganta - dores de garganta, laringite e faringite
Feridas na boca e gengivas
Calafrios e suores
Falta de ar
Dores nos músculos, nas articulações, no estomago e cabeça
Perda de peso
Falta de apetite
Erupções na pele, pele seca e descamativa
Alterações gastrointestinais - náuseas, vómitos, obstipação e diarreia
Sintomas de uma infeção oportunista
A perda de memória, depressão e outros distúrbios neurológicos.
Esta fase tem uma duração curta, geralmente 2 a 3 semanas e pode ser confundida com outras doenças que apresentam sintomatologia semelhante. Desta forma, para confirmar que é uma infeção causada por VIH o individuo tem de realizar o teste de diagnóstico.

Período de infeção assintomática - depois da fase aguda os seropositivos passam uma temporada em que, geralmente, não apresentam sintomatologias. Tem-se verificado que, sem qualquer tipo de tratamento, este período pode durar entre 2 a 20 anos. Durante este intervalo, apesar de não se pronunciar, o vírus permanece ativo dentro do organismo, continua a multiplicar-se e afeta progressivamente o funcionamento do sistema imunológico. Apesar de não ter sintomatologia, esta pessoa é seropositiva e como tal pode transmitir o VIH a outros indivíduos.

Última fase da infeção designada de Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) - a última fase carateriza-se por uma imunodeficiência muito avançada da pessoa infetada com o VIH. Nesta altura o seropositivo tem o sistema imunitário muito fragilizado e está exposto ao aparecimento de doenças oportunistas causadas por microrganismos que utilizam a fraqueza do organismo e que podem ser fatais (já referidas anteriormente). Esta fase da doença pode ser prevenida se for feito. Com o diagnóstico precoce e tratamento adequado esta fase da infeção pode ser prevenida.

O VIH e a SIDA não têm cura mas a sua transmissão pode ser prevenida!

Modos de Transmissão do VIH

> Contacto de sangue entre pessoa contaminada e pessoa não infetada – através de seringas, objetos cortantes ou perfurantes, transfusão sanguínea ou feridas.
> Fluido pré-ejaculatório dos homens seropositivos, Sémen e Fluídos vaginais (inclui a menstruação).
> Relações sexuais desprotegidas – anais, orais e genitais.
> De mãe para filho - durante a gravidez, no parto ou através da amamentação (designada de transmissão vertical).

Como o VIH não pode ser transmitido

> O VIH não é transmissível pelo ar, alimentos, água e picadas/mordeduras de outros animais.
> O VIH não se transmite através de contatos sociais como o beijo, o abraço, o aperto de mão, partilha de objetos pessoais ou qualquer outro meio que não envolva sangue.
> O VIH não se transmite pela saliva, lágrimas, suor, urina, fezes, secreções nasais e vómito, a não ser que estes contenham vestígios de sangue.

Mesmo com o uso de preservativos existe risco de transmissão do VIH! 

Fatores de risco de transmissão de VIH

Existem determinados comportamentos ou condições que aumentam o risco de infeção por VIH:
Pessoas que partilham agulhas, seringas e outro material não esterilizado, usado na preparação de drogas, tatuagens, piercings, ou outros procedimentos.
Praticar relações sexuais desprotegidas, não utilização de preservativo
Ter mais do que um parceiro sexual.
Ser profissional de saúde. Nestas profissões pode, acidentalmente, ocorrer contacto com objetos cortantes, sangue e outros líquidos orgânicos contaminados.
Ser portador de outra doença sexualmente transmissível.
Condições como toxicodependência e prostituição dão mais propensão para infeção e transmissão do VIH.

Prevenção para a transmissão de VIH

Os indivíduos podem reduzir o risco de infecção pelo VIH, limitando a exposição a factores de risco.
► Diminuir o número de parceiros sexuais.
► Ter relações sexuais (anal, genital e oral) protegidas (usar preservativo).
► Não partilhar agulhas e objetos perfurantes ou cortantes (por ex. lâminas de barbear).
► Pessoas expostas a qualquer fator de risco devem fazer o teste de despiste de doenças sexualmente transmissíveis (DNTs) regularmente.
► Prevenir a transmissão de mãe-filho com a utilização de medicamentos antivirais ARVs durante a gravidez, o parto e o após o nascimento (amamentação).
► Praticar a circuncisão masculina diminui o risco de transmissão do VIH em relações heterossexuais (da mulher para o homem). No entanto ainda não se estabeleceu esta ligação para as relações homossexuais.
► A educação sexual desde cedo no meio escolar pode ajudar a diminuir comportamentos de risco que aumentam a probabilidade de transmissão do vírus.
► Profilaxia de prevenção com tratamento Anti-retroviral (ART). Profilaxia é a aplicação de medidas direcionadas para prevenir a propagação de infeções ou doenças. Existem dois tipos de profilaxia para o VIH:
Profilaxia de pré-exposição (PrEP) ao VIH - este tipo de prevenção de transmissão só deve ser aplicada a pessoas que não são portadoras do vírus mas têm um risco elevado de serem infetadas (por exemplo se têm um parceiro sexual portador do VIH, se praticam relações homossexuais masculinas, se usam drogas injetáveis, entre outros). A PrEP é feita com recurso a medicação oral Anti-retroviral (ARV) de uso diário e deve ser complementada com outros métodos de prevenção (uso preservativo), diminuindo o risco de transmissão do VIH.
Profilaxia pós-exposição (PEP) ao VIH - este tipo de prevenção deve ser aplicada em situações em que as pessoas são expostas ou podem ter ao vírus momentaneamente (por exemplo em relações sexuais sem preservativo com portadores de VIH, partilha de objetos cortantes ou injetáveis com pessoas infetadas, para os profissionais de saúde ou casos de agressão sexual). A PEP consiste num tratamento com medicamentos ARV durante 28 dias que deve ser iniciada no máximo até 72 horas (3 dias) após a exposição ao vírus. Deve ser realizado, também um teste de VIH e acompanhamento médico que irá determinar qual o tratamento indicado em cada situação. Apesar de o PEP ser um método utilizado para diminuir o risco de transmissão do VIH, este tipo de prevenção não é 100% eficaz, não garantindo que a pessoa que foi exposta ao vírus não fique infetada.

  

Tratamento

Atualmente não existe cura para o VIH e para a Sida, no entanto existem tratamentos que podem melhorar e prolongar a qualidade de vida das pessoas infetadas. Os métodos de prevenção utilizados são:
Tratamento antirretroviral (ART) - não cura a infeção mas controla a replicação do vírus dentro do organismo humano. Este tipo de medicamento fortalece o sistema imunológico da pessoa infetada e aumenta capacidade de combater infeções.
Medidas preventivas para evitar infeções/doenças oportunistas – através da administração de medicamentos que podem evitar o aparecimento ou tratar estas infeções, para manter os pacientes com SIDA mais saudáveis.

Um seropositivo deve fazer o tratamento antiretroviaral para melhorar a qualidade de vida e reduzir a probabilidade de transmissão do vírus!

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Links com mais informação

World Health organization

Center for disease control and prevention

NHS

Aids.gov