O que é?

O cancro da mama é uma Doença Não Transmissível e como tal não pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o cancro da mama é o mais comum entre as mulheres de todo o mundo e dos que mata mais pessoas anualmente (aproximadamente 500 mil por ano).

Constituição da mama
A mama é constituída maioritariamente por 3 tipos de tecidos: tecido conjuntivo, tecido adiposo e tecido epitelial glandular ou glândula mamária (responsável pela produção de leite), e uma vasta rede de nervos e vasos sanguíneos. A Parte glandular é formada por lobos, compostos por diversos lóbulos, que estão ligados aos ductos que transportam o leite até ao mamilo. A maior parte dos cancros da mama desenvolvem-se na zona das glândulas mamárias, nomeadamente nos ductos e lóbulos, considerados como carninoma ductal e carcinoma lobular, respetivamente.
Estes tecidos são constituídos por células que, no seu estado normal, crescem e dividem-se em novas células, são formadas à medida que vão sendo necessárias e morrem quando envelhecem ou são danificadas. No entanto, existem situações em que algumas destas células se multiplicam de forma incontrolável, formando uma massa de tecido não funcional a que se atribui o nome de tumor. O cancro da mama é um tumor maligno que ocorre nas células da mama e que se apresenta, na maioria dos casos, sob a forma de um nódulo único, duro e de bordo irregular, que se diferencia do resto da mama pela sua consistência e normalmente não apresenta sintomatologia (não provoca dor).

Tipos de cancro da mama
Existem diferentes tipos de cancro da mama, que se caracterizam pela zona da mama onde se inicia o crescimento das células cancerígenas. Os mais comuns aparecem na zona lobular e dos ductos da mama e dividem-se em cancros invasivos e não invasivos.
Cancro da mama não invasivo – também conhecido como cancro/ carcinoma in situ. As células cancerígenas estão no interior da mama mas não se espalham para os tecidos circundantes. O mais comum é o carcinoma ductal in situ.
Cancro da mama invasivo – as células cancerígenas têm capacidade de se espalhar para fora da mama, por exemplo para o tecido adiposo. A forma mais comum é o cancro da mama ductal invasivo, que se desenvolve nas células que revestem os ductos mamários, e representa cerca de 80% de todos os casos de cancro da mama.
Cancros da mama menos comuns – Cancro da mama lobular in situ, cancro lobular invasivo, cancro da mama inflamatório, carcinomas medulares, mucinosos e tubulares, e Doença de Paget.

A mama é composta por tecidos semelhantes em homens e mulheres e, apesar deste tipo de cancro ser muito mais frequente no sexo feminino, também ocorre no género masculino, embora se verifique apenas em aproximadamente 1% do total de diagnósticos realizados.

  Fatores de risco

Ainda não se conhecem as causas exatas para o desenvolvimento deste tipo de cancro, no entanto, já foram determinados diversos fatores que podem aumentar a probabilidade de incidência desta doença. Alguns destes fatores são externos ao indivíduo, outros são inatos e pessoais. É importante referir, ainda, que a presença destes fatores de risco não determina, obrigatoriamente, que a pessoa venha a desenvolver cancro da mama.
Os fatores de risco mais comuns são:
  Consumo de álcool.
  Consumo de tabaco.
  Inatividade física.
  Dieta hipercalórica durante a adolescência.
  Não ter filhos ou 1ª gravidez depois dos 30 anos de idade.
  Menarca precoce - Primeira menstruação precoce, antes dos 12 anos de idade.
  Menopausa tardia - após os 55 anos, faixa etária onde se registam maior parte dos casos.
  Obesidade e aumento de peso na menopausa no caso das mulheres.
  Utilização prolongada de terapias hormonais de substituição (na altura da menopausa).
  História pessoal – quem já teve cancro da mama tem maior probabilidade de vir a desenvolver de novo esta doença.
  Idade – depois dos 50 anos a probabilidade de desenvolver este tipo de cancro aumenta.
  História familiar – o risco é maior quando há casos deste tipo de cancro na família, maiores ocorrências em idades jovens ou incidência no sexo masculino.
  Alteração genética dos genes BRCA1 e BRCA2.
  Pessoas que já foram sujeitas a tratamentos de radioterapia na mama.

Sinais e sintomas

Geralmente a fase inicial desta doença é indolor e silenciosa não apresentando qualquer tipo de sintomatologia, mas este tipo de cancro pode provocar alterações visíveis, sendo as mais observadas:
>  O sintoma mais comum é o aparecimento de nódulo/caroço/inchaço, geralmente indolor, duro e irregular, na mama ou na zona da axila.
>  Alteração no aspeto ou na palpação da mama ou do mamilo.
>  Mudança da forma e tamanho da mama.
>  Uma ferida ou úlcera na pele da mama que não cicatriza.
>  Alteração de textura e/ou cor da pele (vermelhidão ou rugosidade).
>  Alteração de textura e/ou cor do mamilo.
>  Sensibilidade no mamilo.
>  Inversão do mamilo (mamilo virado para dentro da mama).
>  Secreção ou perda de líquido pelo mamilo, com ou sem sangue.

Dor na mama não tem sido referenciada como um sintoma comum em pessoas com este tipo de cancro.

Maior parte dos nódulos que surgem na mama não são cancerosos e estes sintomas podem estar relacionados com outro tipo de patologia que não cancro. É por isso essencial que cada pessoa conheça o seu corpo, de maneira a conseguir detetar qualquer alteração e, nesse caso, procurar imediatamente auxílio de um especialista, para que possa ser diagnosticado e tratado atempadamente.

Prevenção e Rastreio

O cancro da mama é uma doença que pode ser prevenida. Prevenir uma doença não é deteta-la numa fase precoce mas sim evitar que esta se desenvolva. Desta forma, a prevenção passa por tentar modificar os fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolvimento desta doença e fazer o rastreio aconselhado pelos médicos. Nem todos os fatores de risco podem ser evitados mas existem alguns que podem ser controlados, nomeadamente:
►  Não consumir bebidas alcoólicas regularmente
►  Manter um peso adequado
►  Amamentar
►  Não fumar
►  Praticar exercício físico regularmente
►  Ter uma alimentação equilibrada
►  Não realizar terapia hormonal de substituição por um período prolongado
►  Fazer o rastreio para este tipo de cancro – nomeadamente os exames aconselhados

Rastreio
O tratamento das doenças oncológicas é mais eficaz quando estas são detetadas precocemente. Assim, é importante fazer exames para o despiste do cancro da mama mesmo em pessoas que podem não apresentar qualquer tipo de sintomatologia, para que a doença possa ser detetada o mais cedo possível. A este comportamento dá-se o nome de rastreio. A realização destes exames é considerada também uma forma de prevenção, pois se estes forem feitos com regularidade é mais fácil prevenir que o cancro se desenvolva e atinja um estádio mais grave.

Os exames indicados pelos médicos para o rastreio de cancro da mama são:
Exame clínico da mama – consiste na palpação das mamas feita pelo médico, de maneira a verificar se existe alguma alteração ou sinal de alerta. A partir dos 20 anos todas as mulheres devem fazer este exame preferencialmente todos os anos.

Ecografia mamária – é mais utlizada em mulheres jovens, porque a mama é mais densa, mas muitas vezes é complementar a outros exames como a mamografia. Normalmente é o primeiro teste realizado quando é detetado um nódulo ou alteração na mama, e como tal não está definida uma periodicidade para a realização deste exame.

Mamografia – é uma radiografia da mama realizada em mulheres mais velhas, geralmente a partir dos 35/40 anos. É um exame que permite ver a estrutura da mama em pormenor, permitindo, por vezes, detetar nódulos não palpáveis e como tal é considerado o melhor exame para deteção do cancro da mama. Segundo conselho dos médicos a mamografia deve ser realizada de 2 em 2 anos.

Autoexame – este exame é realizado pela própria mulher sem recorrer a um médico. É importante que cada pessoa conheça os seus seios e aprenda a encontrar alguma alteração através da observação e palpação dos mesmos. No caso de notar qualquer coisa que não é normal deve consultar, imediatamente, um especialista. Este exame deve ser realizado regularmente (de mês a mês é o mais indicado) geralmente a partir dos 18 anos. As mulheres que realizam este autoexame com frequência notam mais facilmente qualquer modificação, que pode estar numa fase clínica inicial mais favorável ao tratamento. O autoexame da mama não deve substituir a consulta médica de rotina, assim como a realização de outros exames.

      

                                                                                                                                           

Como fazer o autoexame? Ver aqui!

Os programas de rastreio variam consoante o país. Em Portugal, segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, o rastreio da mama é realizado de 2 em 2 anos e gratuitamente para as mulheres entre os 45 e 69 anos. No reino unido, o NHS (sistema nacional de saúde britâncio) disponibiliza o rastreio de 3 em 3 anos para as mulheres entre os 50 e 70 anos. No entanto, este país pretende alargar este rastreio para mulheres entre os 47 e 73 anos.

Tratamento

Os cancros da mama podem ser diagnosticados em diferentes estádios de desenvolvimento e podem ocorrer em diferentes locais da mama. Desta forma os tratamentos aplicados variam consoante estes fatores. As principais terapêuticas aplicadas neste tipo de doença são: cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal e terapêuticas dirigidas (nos quais se incluem os anticorpos monoclonais).
O primeiro impacto no diagnóstico de cancro da mama está associado ao medo de amputação de um órgão, que é tão importante para a mulher a nível estético e de fertilidade. Antigamente a mastectomia total - extração por completo da mama era a técnica mais utlizada como tratamento desta doença. Hoje em dia, com o avanço dos recursos na saúde, este procedimento é muito pouco comum recorrendo-se primeiro a muitos outros. Sempre que possível extrai-se só o tumor através de uma cirurgia conservadora. No entanto, em situações em que é necessário realizar uma mastectomia, recorre-se posteriormente à cirurgia plástica de reconstrução da mama, que diminui os problemas traumáticos de quem tem que passar por este tipo de mutilação. O médico é que indica qual o tratamento assim como possíveis efeitos secundários que possam surgir e resultados esperados do mesmo.
Se o cancro da mama for detetado numa fase inicial pode ser tratado com mais sucesso, aumentando-se em grande escala a probabilidade de sobrevivência. Para isso é importante que a mulher faça o rastreio da mama.

                     
 

A prevenção deve ser feita regularmente!
O cancro da mama pode ser facilmente detetado e tratado!

 

Agradecemos aos alunos da CESPU o apoio prestado na realização deste artigo informativo.