CONVULSÃO é um distúrbio que se caracteriza pela contracção muscular involuntária de todo o corpo ou de parte dele, provocada por um funcionamento anormal do cérebro. Geralmente ocorre quando há um aumento excessivo da atividade eléctrica em determinadas áreas do cérebro. Esta atividade anormal pode passar despercebida ou, em casos mais graves, pode levar a uma crise convulsiva ou convulsão. As convulsões, normalmente, acontecem repentinamente e duram entre 1 a 5 minutos, aproximadamente.
Existem diferentes tipos de convulsões, desde as mais simples como as convulsões parciais simples, às mais graves como as convulsões generalizadas tônico-clônicas.

Os tipos de convulsão mais comuns são:
Convulsão parcial/focal - ocorre após uma descarga que envolve apenas uma região do cérebro. Existem 3 tipos diferentes destas convulsões: convulsão parcial simples, convulsão parcial complexa e a convulsão parcial que evolui para convulsão generalizada secundária. A diferença entre as crises simples e complexas é que durante as primeiras a vítima mantêm a consciência, enquanto as segundas são caracterizadas por perda de consciência.
Convulsão generalizada – ocorre quando os dois lados do cérebro são afetados. Existem diversos tipos desta convulsão sendo que os mais frequentes são: a convulsão generalizada de ausência e a convulsão generalizada tônico-clônica. A grande diferença entre estas duas crises está na perda de consciência que se observa na tónica-clônica contrariamente à de ausência em que se verifica, apenas, uma falta de resposta por parte da vítima.

  Sinais e sintomas

Os sintomas que ocorrem em cada crise variam consoante o tipo de convulsão e a zona do cérebro que foi afetada, no entanto os mais comuns são:
> Contrações e espasmos involuntários e descoordenadas dos músculos (parecem tremores).
> Salivação intensa (por vezes pode ser “espumosa”). Se ocorrer ferimento da língua, a saliva pode ter vestígios de sangue.
> Perda de consciência. Quando não há perda de consciência pode-se observar um fixar (geralmente para cima) ou piscar dos olhos, tremor dos lábios e ausência de resposta por parte do paciente.
> Pode ocorrer palidez e lábios com cor arroxeada/azulada.
> Perda do controle dos esfíncteres da bexiga ou intestinos.
> Diminuição dos sentidos.
> Contração dos maxilares - fricção dos dentes, com possibilidade de ferimento da língua.
> Na fase pós crise convulsiva a vítima pode apresentar determinados sintomas como: dor de cabeça, fadiga, sonolência, confusão mental e amnésia – estados dos quais o paciente recupera devagar.

Causas mais frequentes de ocorrência de convulsão

  Epilepsia
  Asfixia
  Tumor cerebral
  Envenenamento
  Choque eléctrico
  Desidratação excessiva
  Traumatismo cranioencefálico
  AVC – Acidente vascular cerebral
  Ingestão/inalação de drogas elícitas
  Efeito colateral de determinados medicamentos
  Hipóxia cerebral - Falta de oxigenação do cérebro
  Hipoxemia perinatal (falta de oxigénio nos recém nascidos)
  Febre muito elevada - provoca convulsão febril que é mais comum nas crianças
  Doenças como: meningites, encefalites, tétano e infecção pelo HIV, entre outras
  Intoxicação por exposição a drogas ou substâncias tóxicas (por ex: álcool e medicamentos)
  Abstinência depois de uma utilização excessiva de drogas (por ex.: determinado tipo de medicamentos e álcool)
  Distúrbios metabólicos - por ex. níveis elevados de sódio ou açúcar no sangue, níveis baixos de açúcar, cálcio, magnésio ou sódio no sangue

Como agir?

Assistir a uma crise deste tipo cria muito stress, preocupação e nervosismo. No entanto, é uma emergência médica que requer apoio imediato de quem a está a presenciar, sendo essencial a pessoa saber como reagir nestes casos. Algumas medidas simples podem reduzir muito o risco de complicações que podem surgir com este tipo de episódios.
► Quando possível, deve evitar que a pessoa caia no chão tentado amparar a queda.
► Afastar objetos que possam magoar a vítima ou afastar a vítima de lugares que possam ser perigosos.
► Manter o local arejado e sem muitas pessoas á volta do acidentado.
► Proteger a cabeça de modo a não bater em nenhuma superfície que possa causar ferimentos (por exemplo: pousar em cima de uma almofada, uma peça de roupa ou no colo de quem está a socorrer) mas sem a apertar.
► Se necessário colocar um pano dentro da boca para evitar que a vítima trinque a própria língua e aperte os dentes.
► Desapertar a roupa da vítima para a por mais confortável e para facilitar a respiração.
► Colocar a vítima em posição lateral de segurança para evitar obstrução da passagem de ar por engasgamento com a saliva ou queda da língua que fica mole (vídeo de demonstração no tópico “desmaio”).
► Limpar as secreções salivares que vão ocorrendo para facilitar a respiração.
► Permanecer ao lado da vítima até que esta recupere a consciência e chegue ajude médica.
► Quando terminar a crise a vítima pode estar cansada e confusa. Deve explicar o que aconteceu, deixá-la repousar e nunca oferecer comida ou bebida.
► Pedir, imediatamente auxílio, às entidades competentes. Pode perceber como reagir nestas situações de emergência na nossa secção “Primeiros socorros, o que são?”.

O que não deve fazer durante uma crise convulsiva:
► Não contrariar os movimentos involuntários da vítima, ou seja, não imobilizar os membros da vítima, deixá-los livres.
► Não deitar água na cara da vítima.
► Não colocar as mãos dentro da boca do acidentado, pois involuntariamente este pode magoar a pessoa que está a socorrer.
► Não retirar a pessoa do local até chegar ajuda médica.

 
 

  

Vídeo realizado pelo INEM - como agir perante uma crise convulsiva.